Please, open the doors!
Verônica Lopes Neves
Vivemos em um meio em que a busca pela facilidade é dominante. A ansiedade para se atingir o objetivo proposto por meio de caminhos mais práticos, mais rápidos e menos trabalhosos é concreta.
Lembro-me de alguns anos atrás, quando ainda cursava a primeira série do antigo “ginásio”. Era a minha primeira experiência com a língua inglesa! O medo do desconhecido crescia e a ansiedade apoderava-se de mim. Mas vi todos aqueles sentimentos caírem por terra quando o professor Tito abriu a porta. Foi entrando na sala devagarinho, sem nenhuma pressa. Seu jeito descontraído traçava caminhos imaginários. E nós, seus alunos, navegávamos em rios de idéias. Sempre alegre, desafiava-nos a andar por caminhos de criança... Ensinava-nos a pensar, fazendo uso de estratégias de ensino mirabolantes e encantadoras. E ele não tinha pressa... com paciência e num doar de si mesmo, vibrava com o nosso caminhar. Persistia em auxiliar os alunos a aprenderem as realidades enfocadas de forma crítico-reflexiva. Era muito bom! Era bom demais! A porta estava aberta e podíamos atravessá-la. O imaginar situações era permitido. O brincar com as dificuldades era permitido. O inventar era permitido. O expressar-se mesmo com erros era permitido. O professor Tito inspirava-nos a sonhar. Sua dedicação era marcante.
Aos poucos, o grupo fortaleceu-se e, munido de conhecimento, traçou um ideal: também queríamos abrir portas, queríamos ser mediadores do conhecimento, queríamos ser a ponte entre a língua inglesa e a realidade de outros indivíduos, trabalhando valores por meio do estimulo à criatividade e à expressão de sentimentos, como fazia nosso professor. Queríamos também compreender as necessidades de outros grupos contextualizando temas de estudo. Queríamos continuar a propagar carinho, respeito mútuo, associando descontração ao processo de aprendizagem.
Alguns anos se passaram... saio das lembranças e vejo crianças com a mesma ansiedade sentida antes que o professor Tito abrisse a porta...
As marcas deixaram claro que o professor de língua inglesa deve ser também um transformador. Transpondo as linhas gramaticais, os the book is on the table, aprendemos que há caminhos abertos utilizando a porta da sensibilidade. Sensibilidade que possa levar o aluno à aventura do conhecer e atuar afetivamente no mundo.
Há necessidade de abrir portas, sem pressa, devagarinho. Portas também da compreensão que estimulem a criatividade na tomada de decisões. Há necessidade de abrir portas, devagarinho, sem pressa.
Imensa é a responsabilidade ofertada principalmente aos professores das séries iniciais. As primeiras experiências são fundamentais para que se crie uma postura favorável ao aprendizado. A pressa para este fim é uma inimiga. É primordial abrir a porta do desenvolvimento de atividades que estimulem o aluno a desenvolver a responsabilidade de aprender um novo idioma.
Como professora do Sistema Objetivo de Ensino e com o olhar direcionado aos países de Língua Inglesa, reconheço que, dentre as possibilidades, acertamos ao escolher duas portas culturais que, ao serem abertas, poderão proporcionar vivências, uso de linguagem, expressão de valores e atitudes que possibilitam a atuação efetiva no meio. Uma delas é o Valentine’s day, comemoração que acontece em 14 de fevereiro. Não pode ser traduzida apenas como “Dia dos namorados”. É muito mais significativa. É o dia de relatar emoções, demonstrar (principalmente por meio de cartões) sentimentos de consideração e apreço às pessoas queridas (familiares e amigos). Para o professor de inglês, o Valentine’s day é uma porta aberta para o ensino, para mais uma maneira de ajudar o aluno a colocar-se diante de sua própria realidade, de forma reflexiva e atuante. Ao expressar sentimentos, os conceitos estarão sendo aplicados.
Outra prática didática é o Thanksgiving Day, comemoração familiar que acontece no final do mês de novembro. Tempo de parar! Tempo de refletir! Tempo de festejar! Essa prática possibilita o compartilhar de acontecimentos pessoais marcantes, conduzindo o aluno a uma atitude de solidariedade, e o compromisso com a construção do conhecimento flexibilizará a abertura de portas que levarão também à construção de valores.
A língua inglesa é, portanto, uma ferramenta concreta e significativa que leva o aluno das séries iniciais a interferir, a atuar.
Abre-te Sésamo!
Verônica Lopes Neves é coordenadora da disciplina de Inglês do Ensino Fundamental (1ª a 4ª série) do Sistema Objetivo de Ensino.