Arte na escola: formando críticos
* Por Paula Ariane
A apreensão das imagens que nos cercam e invadem o nosso cotidiano é assunto relevante para todas as áreas do conhecimento. Os outdoors, faixas, placas e outras formas de propaganda nas ruas, adesivos em carros, stickers, figurinhas, revistas, jornais e folhetos a que as crianças têm acesso, além das janelas e ícones do computador e todo o universo imagético que a internet oferece, são alguns exemplos de imagens, estáticas ou não, que exercem alguma ou muita influência na construção do nosso senso estético.
Essas imagens carregam uma quantidade de informações bem maior do que aquela percebida por um olhar desatento. Não que a criança ou qualquer pai ou educador fique diante de algum cartaz analisando suas formas, cores ou mensagem, mas o exercício da análise e leitura das imagens permite uma postura mais crítica diante delas.
É justamente nas aulas de Artes que este exercício de análise e leitura de imagens se dá, é um dos pontos principais do ensino da arte hoje. Utilizando em aula um material rico em reproduções de obras de arte e proporcionando periódicas visitas a exposições, o referencial estético amplia-se e a criança acostuma-se a olhar e ver além daquilo que está explícito, atribui significados, interpreta, critica e questiona. O material didático do Sistema Objetivo de Ensino, desde as séries iniciais da Educação Infantil até a 8ª série do Ensino Fundamental, permite essa abordagem; repleto de imagens, ele oferece ao professor possibilidades que enriquecem o processo ensino/aprendizagem da arte. Para os alunos do Ensino Médio que pretendem ingressar em carreiras ligadas à comunicação e à arte, também há um material específico que permite a continuidade do que foi desenvolvido no Ensino Fundamental.
No final da década de 1980, surgiu, no Brasil, a Metodologia Triangular, uma nova abordagem para o ensino da arte que fundamenta a proposta de ensino de Artes Visuais do Sistema Objetivo. Posteriormente, a terminologia foi revista por sua criadora, Ana Mae Barbosa, por considerar a idéia de metodologia demasiadamente “particularizadora, prescritiva e pedagogizante” . Passando a ser conhecida como Proposta Triangular ou Abordagem Triangular, ela propõe um ensino da arte baseado no seguinte tripé: a criação ou o fazer artístico, a leitura da obra de arte e a contextualização histórica.
Já que falamos em leitura da obra de arte, leitura da imagem, podemos falar também de uma alfabetização visual, isto é, habilitar os alunos para a compreensão de uma sintaxe visual. A percepção de sutilezas ou nuances na observação atenta da arte permite ao indivíduo também a percepção de diferenças sutis ou a descoberta de possibilidades que não tenham sido apresentadas em qualquer campo de atuação humana. Não é uma tarefa simples, uma vez que este aspecto do ensino da arte é feito em conjunto com a prática e a apreciação. A produção ou o fazer artístico costumam exercer um fascínio sobre todos nós, a manipulação dos materiais artísticos e o aspecto lúdico do contato com esses materiais sempre encantam e envolvem.
O ensino da arte na escola já tem o seu campo definido, é uma área do conhecimento que contribui inegavelmente para a formação geral do indivíduo. Usar as aulas de Artes para a produção de objetos, utensílios e desenhos destinados a comemorações de datas ou esperar que um arte-educador seja o decorador da escola é um equívoco que está cada vez mais sendo banido das práticas escolares.
Paula Ariane é coordenadora de Artes do Ensino Fundamental (5ª a 8ª série) do Sistema Objetivo de Ensino.