Colégio Objetivo enfatiza desenvolvimento sustentável
em suas atividades escolares
* Por Ana Paula Campolongo
O debate sobre desenvolvimento econômico vem sendo travado há muitas décadas, mas ultimamente tem sido objeto de discussão intensiva pelos meios de comunicação, pelas organizações não-governamentais (ONGs) e pela escola. O objetivo de tal conduta é a busca por soluções que inibam as múltiplas e desastrosas conseqüências ao planeta Terra e a seus habitantes, como a fragilização da natureza, o aumento das desigualdades sociais, da pobreza e a falta de democracia.
É sob essa perspectiva que surge a proposta de desenvolvimento sustentável. Ela concilia o progresso econômico com a preservação ambiental, acenando, ainda, com o fim da pobreza no mundo. Essa proposta consiste na criação de um modelo econômico capaz de gerar riqueza e bem-estar enquanto promove a coesão social e impede a destruição da natureza, satisfazendo as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras. O desenvolvimento sustentável utiliza os recursos naturais sem comprometer a sua produção e busca a melhoria da qualidade de vida.
De acordo com o relatório proposto pela Comissão de Brundtland – criada pela ONU em 1983, os Estados deveriam assumir determinadas medidas para alcançar a sustentabilidade. São elas:
Tais propostas desafiam o atual modelo de desenvolvimento econômico – baseado na exaustão dos recursos naturais, na exploração do trabalho e na relação de dependência entre os países que apresentam diferentes graus de progresso tecnológico. Se, por um lado, o desenvolvimento sustentável faz uma proposta em longo prazo, o atual modelo é imediatista.
Como lidar com essa questão? Minha resposta a esse conflito parte da premissa de que o desenvolvimento sustentável requer uma profunda remodelação no modo como nos relacionamos com a natureza, com a sociedade e com os direitos e valores humanos. Segundo o físico teórico Fritjof Capra, “cabe a nós dar início à transição para uma economia sustentável e fazer com que haja tempo para que essa mudança de valores detenha e reverta os estragos que já causou ao planeta e à raça humana”.
Nessa ótica de desenvolvimento, a escola passa a ter um papel fundamental para a concretização dessas mudanças, pois, ao realizar projetos com crianças e jovens, a instituição educacional propaga e aproxima a discussão da sociedade. O projeto deixa de ser somente de competência do Estado para se tornar também da sociedade, que participa dos processos decisórios e das mudanças. Nesse contexto, a escola deve constituir-se em um espaço democrático, que estimule a reflexão e a formação de pensamentos críticos, voltados para a construção de um mundo mais justo e tolerante, que respeite as diferenças, além de ser ecologicamente sustentável.
Anualmente, o Colégio Objetivo desenvolve em suas unidades escolares uma atividade chamada Encontro Cultural, que tem como foco justamente a apresentação das produções desenvolvidas pelos seus alunos a partir de um tema central ou condutor. Em 2006, o tema escolhido foi Por um Mundo Sustentável, tendo como propósito discutir a importância da educação para o futuro de acordo com essa temática.
A atividade, que permitiu aos professores e alunos o questionamento sobre a sustentabilidade do planeta, promovendo uma sensibilização para alcançarmos mudanças, teve uma notável dedicação dos envolvidos. Tomando-se como base uma ampla seleção de textos, leituras, discussões e reflexões sobre o tema, os alunos produziram trabalhos que impulsionaram debates e que levaram a soluções teóricas e práticas.
Por fim, colocar em prática um modelo de Desenvolvimento Sustentável para o planeta pressupõe alavancar uma discussão que vai muito além das questões ambientais, pois é imperioso pensar no planeta como um todo, como um organismo vivo, em que as ações tomadas por um grupo implicam conseqüências para todos. Dessa maneira, a sustentabilidade só será possível se for arquitetada em grupo, reavaliando-se valores, práticas sociais, econômicas e políticas.
Bibliografia:
Capra, Fritjof. As conexões ocultas: Ciência para uma vida sustentável - Editora Cultrix, 2005.
Ana Paula Campolongo é coordenadora de Geografia do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) do Sistema Objetivo de Ensino.