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Importância da leitura como fonte de conhecimento
e participação na sociedade

* Por: Deborah Cristina Catarinacho

Ler significa aproximar-se de algo que acaba de ganhar existência.
Ítalo Calvino

O ato de ler é soberano. Implica desvendar e conhecer o mundo. É pela leitura que desenvolvemos o processo de atribuir sentido a tudo o que nos rodeia: lemos um olhar, um gesto, um sorriso, um mapa, uma obra de arte, as pegadas na areia, as nuvens carregadas no céu, o sinal de fumaça avistado ao longe e tantos outros sinais. Lemos até mesmo o silêncio!
Nos dias de hoje, a comunicação, mesmo presencial, está mediada por uma infinidade de signos. Na era da comunicação interplanetária, estabelecemos infinitas conexões com pessoas de todos os cantos do mundo, o que nos obriga a decodificar um universo poderoso de mensagens e a nos adaptar a elas: comunidades virtuais do Orkut, conversas pelo MSN, compras e negócios fechados pela rede e, se essa informação foi dominantemente verbal até então, agora se torna também visual com a chegada do YouTube. Sabemos o quanto a força da imagem exerce fascínio e entendemos, definitivamente, que não há mais como sobreviver neste mundo sem que haja, de nossa parte, uma adaptação constante no que se refere ao acesso às diferentes linguagens disponíveis. Assim, para que possamos exercer ativamente nosso papel social, é preciso, antes de tudo, aprender a ler o mundo.
É fundamental reconhecer que o sentido de todas as coisas nos vem, principalmente, por meio do olhar, da compreensão e interpretação desses múltiplos signos que enxergamos, desde os mais corriqueiros – nomes de ruas, por exemplo – até os mais complexos – uma poesia repleta de metáforas. O sentido das coisas nos vem, então, por meio da leitura, um ato individual de construção de significado num contexto que se configura mediante a interação autor/texto/leitor.

A leitura é uma atividade que solicita intensa participação do leitor e exige muito mais que o simples conhecimento lingüístico compartilhado pelos interlocutores: o leitor é, necessariamente, levado a mobilizar uma série de estratégias, com a finalidade de preencher as lacunas e participar, de forma ativa, da construção do sentido. Dessa forma, autor e leitor devem ser vistos como estrategistas na interação pela linguagem para que se construa o sentido do texto.
No Colégio Objetivo Júnior, em nossa prática docente com a leitura – assumida como compromisso da escola – privilegiamos o ato de ler em tempo integral: em aulas diárias nas quais as crianças manipulam textos dos mais variados gêneros e áreas do conhecimento, em projetos didáticos interdisciplinares, em programas de dinamização de nossas bibliotecas, em Feiras de Livros especialmente preparadas aos nossos alunos e, ainda, na busca espontânea pela leitura de textos diversos que serão o alimento de suas próprias produções textuais.
Acreditamos que somente com esse firme propósito e uma eficiente ação pedagógica, as crianças transformarão letras e sílabas em encantadoras e surpreendentes histórias, promovendo, assim, o avanço que garante a formação integral do indivíduo.
É nesse intercâmbio de leituras que se refinam, se reajustam e redimensionam hipóteses de significado, ampliando constantemente a nossa compreensão dos outros, do mundo e de nós mesmos.
O exercício pleno da cidadania passa necessariamente pela garantia de acesso aos conhecimentos construídos e acumulados e às informações disponíveis socialmente. E a leitura é a chave dessa conquista.

Deborah Cristina Catarinacho é mestre em Língua Portuguesa pela PUC/SP, coordenadora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental do Sistema Objetivo de Ensino, autora do material didático para a área de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental do Colégio Objetivo.

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