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Inovações tecnológicas dentro da sala de aula e na gestão
*Por Almir Brandão

Nenhuma tecnologia merece ser implementada se não substituir com vantagens aquelas já existentes. Partindo desse pressuposto, para abordar a questão das inovações, inicio por opinar que muitos programas de computadores, incluídos no staff de inovadores tecnológicos, nada mais são do que meros apresentadores de slides, substituindo com desvantagens um projetor.

O aluno de hoje é completamente diferente, de muitos pontos de vista, do que eu e muitos companheiros de profissão fomos. A televisão, o cinema contemporâneo, o vídeo-game e o computador, resultados da tecnologia, modificaram substancialmente a maneira de pensar, pois a maioria de nós raciocina linearmente, enquanto que boa parte dos estudantes de hoje já o faz em mais dimensões e, com isso, consegue dedicar-se a várias tarefas ao mesmo tempo. Por outro lado, a exigência da qualidade a que estão acostumados faz com que sejam inaceitáveis certas projeções ou materiais gráficos.

Como gestor de tecnologia, procuro levar em conta o lapso de tempo entre o momento em que a nova tecnologia vai ser implantada e o momento em que o estudante ingressará no mercado de trabalho. Há cerca de dez anos, um diretor de escola disse-me: “coloquei computadores na minha escola e, por isso, estou ensinando datilografia, desde o primeiro ano”. Retruquei, dizendo que, quando esses alunos entrassem no mercado de trabalho, possivelmente estariam ditando textos aos seus computadores, saber datilografar não seria nenhuma vantagem.

Há também uma pequena história, que não é de minha autoria, mas a tomo como baliza: imagine um indivíduo que tivesse passado séculos adormecido e então acordasse em uma praça pública, uma sala de televisão ou em uma cozinha, por exemplo. Ele certamente ficaria estupefato com todas as novidades que veria em torno de si. Por outro lado, se esse mesmo indivíduo tivesse acordado em uma sala de aula, só estranharia as vestimentas, todo o resto continuaria igual.

Em meio a tudo isso, gostaria de salientar que nenhuma tecnologia substitui um professor. Não me refiro àquele professor que nós conhecemos — receptáculo do conhecimento e que o passava em doses homeopáticas aos seus alunos, os quais tomavam notas avidamente. Falo daquele que hoje, com a democratização do conhecimento, promovida pela Internet, faz com que o aluno saiba onde está esse conhecimento e como chegar a ele. Nesse sentido, o professor passa a ser o orientador, o estimulador e o desafiador, aquele que, utopicamente, conseguiria dar aula apenas lançando propostas.

A escolha e a adequação do profissional envolvido com tecnologia são de vital importância para o processo educativo. No Sistema Objetivo de Ensino, esse professor não precisa ser jovem, mas deve ter o espírito de um. Ele tem que ser um profissional aberto às novas tecnologias e compreender que não há problema algum que seus alunos, nessa área, saiba mais que ele. O selecionador de recursos humanos deve entender que é mais fácil transformar um pedagogo em professor da área de tecnologia, do que um indivíduo com formação tecnológica em professor. Esse recrutador deve pesquisar se o candidato em questão consegue entender, por exemplo, que se um aluno conversa em sala de aula com seu colega, sem atrapalhar os outros, nem sempre isso é sinal de desrespeito, pois, se a aula é motivadora, essa troca de idéias faz parte do aprendizado.

A capacitação profissional, por sua vez, é um item relativo, porque a solução não é apenas capacitar, mas sim estimular o professor para que ele se capacite continuamente. Em certa ocasião, um professor, após ministrar uma aula no Objetivo utilizando tecnologia de alta definição, disse-me que estava achando tudo fabuloso, e que era a segunda vez em sua vida que havia sido aplaudido em uma aula: a primeira tinha sido a aula anterior.

O Colégio Objetivo utiliza largamente os recursos tecnológicos. Um bom exemplo é a Lousa Digital Interativa, que constitui uma inovadora forma de ensinar, com a convergência de diferentes mídias de que a tecnologia moderna dispõe. É possível ao professor reproduzir vídeos e sons, exibir imagens, acessar a Internet, utilizar programas de realidade virtual e usufruir de interatividade semelhante à proporcionada pelos games, tudo isso com um simples toque na tela. O material da aula pode ser enviado para os pen drivers dos alunos ou para seus e-mails.

Além da Lousa Digital Interativa, os alunos também têm à sua disposição simuladores de realidade virtual que permitem “congelar o tempo” e estudar as forças que só aparecem em corpos em movimento. Há, ainda, um giroscópio que propicia um vôo pelo relevo do Brasil e pelo qual é possível deduzir regimes de chuvas, ventos, clima e vegetação.

A Internet também é dotada de aplicações interessantes, que vão além das pesquisas usuais, pois permite a democratização do conhecimento e a individualização em um nível nunca antes imaginado. No Objetivo, por meio da Internet, está sendo implantado um conjunto de aulas em que cada aluno parte virtualmente da sua residência em direção à meta de estudo, tendo como bloco de notas o computador instalado em sua própria casa.

Para o Colégio, a robótica consiste na montagem de dispositivos mecânicos e em adaptações de outros dispositivos técnicos existentes no mercado, os quais podem ser controlados por computador. Nosso propósito não é formar um aluno expert em robótica, nem um mero montador de máquinas, que segue instruções de manuais. Nossa abordagem vai além disso: em vez de dar receitas da montagem, desafiamos o aluno a, por si mesmo, montar criativamente o objeto em questão. Já com a microeletrônica, ensinamos princípios básicos de Lógica, de Física e de outras disciplinas, desmistificando, ainda, o computador, que deixa de ser uma caixa-preta.

Na atualidade é cada vez mais importante que o conhecimento venha de dentro para fora em vez de ser imposto ao aluno. Por exemplo, na aula de Geografia, os alunos do 6º ano estudam o sistema solar; na aula de Robótica, depois de aprender os conceitos de redução e de rosca sem fim, montam um planetário utilizando peças de um kit de robótica, massa de modelar e lâmpadas, para simular a luz do Sol.

Por fim, antes de uma escola adquirir novas tecnologias, acredito que é fundamental inseri-las em um projeto pedagógico, para que depois não se fique sem saber exatamente o que fazer com elas.

* Almir Brandão é Diretor do Centro de Pesquisa e Tecnologia do Grupo Educacional UNIP-Objetivo. Formado em Magistério e graduado em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo, é também bacharel e licenciado em Matemática, Física e Desenho.

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