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A música na escola de ensino fundamental
*Por Danilo Barral da Rocha

O foco do trabalho do educador musical na escola de Ensino Fundamental deve ser o de despertar o gosto pela música em seus alunos.
Para tanto, o professor tem de lançar mão de diversas estratégias pedagógicas que ofereçam às crianças oportunidades de atuarem como ouvintes, intérpretes, críticos, improvisadores e compositores.
O primeiro passo é fazer os alunos desenvolverem a habilidade de escutar. E a prática da escuta, na aula de Música, requer uma postura ativa e concentrada, de modo que as informações sonoras recebidas sejam dotadas de sentido. Para que os estudantes se tornem ouvintes conscientes, o professor deve prepará-los para perceberem os diferentes elementos que aparecem numa peça musical, tais como os instrumentos utilizados, características melódicas e rítmicas, além das sensações que a música pode transmitir.
Uma estratégia que tem apresentado excelente resultado nas aulas de Música do Colégio Objetivo, durante a preparação das crianças para a atividade de escuta, é o que chamo de exercício do silêncio. Essa prática requer paciência e persistência do professor até que os resultados comecem a aparecer; a sua repetição desenvolve nos alunos a postura necessária para a apreciação de uma peça musical. Com o passar do tempo, a própria turma cobra o devido comportamento de um colega que eventualmente desrespeite o “pacto do silêncio”.   
Outro ponto crucial da educação musical é permitir o ato de interpretar, de executar um instrumento desde cedo. Instrumentos de percussão devem ser bastante utilizados nessa fase inicial de musicalização, pois permitem às crianças a exploração de sonoridades e o desenvolvimento do seu senso rítmico, tanto por meio da livre experimentação quanto da reprodução de padrões rítmicos apresentados pelo professor.
Estratégia importante se dá com o uso da flauta doce, que permite o desenvolvimento da coordenação motora fina, além do ouvido melódico e da concentração. Após longo treino é explícita a satisfação da turma ao executar uma melodia na flauta.  
O educador também não pode se furtar de orientar os alunos a realizarem a forma mais democrática de interpretação: a prática de cantar.
A interpretação musical é de extrema importância na formação e no desenvolvimento emocional das crianças, visto que é uma forma especial de expressar sentimentos e de se comunicar com o mundo.
Já o desenvolvimento do senso crítico dos alunos se faz com exercícios que trabalham os parâmetros do som – reconhecimento de timbres (fontes sonoras), intensidade (forte/fraco), altura (agudo/médio/grave) e duração (longo/curto), com a escuta de ritmos variados, de músicas de diversos países e de formas e estilos musicais diferentes.
Assim, o educador musical fornece subsídios aos alunos para que possam realizar uma escuta analítica e crítica, além de enriquecer a cultura musical.
Entretanto, os desafios e os objetivos do profissional de música que atua na escola de Ensino Fundamental não se limitam às etapas anteriormente descritas, desde que elas sejam alcançadas e superadas pela turma. O educador deve ter a sensibilidade quanto ao desenvolvimento e às aptidões dos alunos, apresentando-lhes outras possibilidades e encorajando-os no sentido de criar, improvisar, compor.        
Algumas estratégias que apresentam resultados surpreendentes são sugerir a produção de canções a partir de um tema motivador (por exemplo, extraído de um livro em que a classe esteja trabalhando); realizar exercícios com instrumentos de percussão que possibilitem improvisar ritmos; solicitar, como tarefa de casa, que criem uma melodia na flauta, que pode ser ou não acompanhada de texto.
Quando as crianças compõem ou improvisam algo, e sua obra é aceita tanto pelo professor quanto pelos colegas, elas se sentem confiantes e estimuladas a continuar produzindo.
Todas as práticas pedagógicas citadas (escuta, interpretação, análise crítica, improvisação e composição) consideradas isoladamente ou em conjunto, aliam-se ao objetivo primeiro do professor que é o de despertar nos educandos o gosto pela música.
Quase toda minha experiência prática como docente foi desenvolvida lecionando nos anos iniciais do Ensino Fundamental, no Colégio Objetivo, onde tem sido possível constatar os benefícios das aulas de Música na formação do indivíduo. O uso da flauta doce a partir do 2º ano do Ensino Fundamental e os laboratórios de canto coral e teclado que a escola oferece para os nove anos desse nível, são oportunidades que têm conferido aos alunos mais uma forma de expressão e de relacionamento com o mundo.
Vale ressaltar a importância de se traçar o perfil das turmas para que o educador planeje aulas que possibilitem a interação eficaz com as crianças, instigando-as e impulsionando-as a serem sujeitos ativos no processo de ensino-aprendizagem em Música.

* Danilo Barral da Rocha é graduado em Música pela Faculdade Marcelo Tupinambá e em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. É professor de Música das séries iniciais do Ensino Fundamental do Colégio Objetivo e regente dos corais infantis nas unidades Alphaville e Paz.

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