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Educação geográfica:
o despertar para o planeta Terra
* Por Bernadete Frigo Feitosa Guaratto

O ensino de Geografia deve colaborar para que o aluno possa entender melhor o agitado e deslumbrante mundo em que vive e sentir-se estimulado a intervir na realidade em construção.

Atualmente, a importância do ensino e do conhecimento geográfico é maior do que em qualquer outra época, pois, em tempos de globalização, somos cotidianamente atingidos por diversos conflitos, catástrofes naturais, crises econômicas, políticas e novas tecnologias. Por sua vez, a velocidade das informações faz surgir uma sensação de impotência diante da impossibilidade de compreender tudo o que está acontecendo ao nosso redor e no mundo.

Estudar Geografia é compreender as relações do homem com o espaço e a natureza. O homem é um ser multidimensional que não vive sozinho, mas em grupo, e é vivendo em sociedade que ele estabelece relações, constrói e reconstrói seus conhecimentos, fundamentados nas aprendizagens que são contextualizadas em um determinado tempo e espaço. Nesse sentido, mais uma vez a Geografia pode nos ser útil na leitura e no entendimento do mundo que nos rodeia, permitindo-nos participar das soluções de seus inúmeros problemas locais, regionais ou internacionais para a construção de uma vida sustentável.

O foco da Geografia é o espaço da sociedade humana, onde vivem homens e mulheres que, ao mesmo tempo em que são influenciados pelas características espaciais de seu meio próximo e distante, produzem modificações na configuração espacial ao longo de sua existência. Tudo depende da natureza e do ser humano. A natureza é a fonte primeira de todo o mundo real. A água, a madeira, o petróleo, o ferro e todas as outras coisas existentes nada mais são do que aspectos naturais. Mas ao fabricar os plásticos a partir do petróleo, ao represar rios e construir usinas hidrelétricas, aterrar mangues, edificar cidades, inventar meios de transportes e comunicações para encurtar as distâncias, por exemplo, o homem reelabora, transforma os elementos e o meio ambiente. Assim, o espaço geográfico não é apenas o local de morada da sociedade humana, mas, principalmente, uma realidade que a cada momento passa por transformações.

É de extrema importância que possamos entender o que a Geografia pode ensinar e para que estudamos esta ciência, que vai além de uma disciplina acadêmica e pode transformar um aglomerado de pessoas indiferentes em uma sociedade consciente e participativa.

Aprender Geografia é um processo dinâmico e repleto de significações. Compreendê-la é ter um olhar diferenciado para a paisagem viva, existente em nosso cotidiano, estabelecendo relações do homem com esse universo. É perceber que essa área do conhecimento possui elementos suficientes para se tornar uma disciplina formadora de cidadãos críticos e atuantes.

Para tanto, podemos trabalhar com nossos alunos por meio da leitura de paisagem, representações gráficas e cartográficas, fotos, documentos, notícias, discussões, reflexões, análises e comparações entre o antes e o agora. Essas reflexões podem ampliar a capacidade dos estudantes de projetar seu futuro com crescente responsabilidade. Despertar o gosto pela Geografia é aproximar-se do meio ambiente; é aprender a preservá-lo com dignidade, determinação, perseverança e humanidade; é buscar novos conhecimentos a respeito dos fatos e fenômenos sociais e fazer uma Geografia viva, dinâmica e mutável.

A educação geográfica deve desenvolver uma ética para a humanidade, uma vez que vivemos em uma comunidade planetária, que exige novas relações de interdependência, solidariedade, convivência e partilha. Como acreditam os índios norte-americanos Sioux, deveríamos ter uma única cidadania: a de filhos da terra. “A terra não pertence ao homem. O homem à terra pertence. E tudo está interligado, como o sangue que une uma família. O que atinge a terra atinge os filhos da terra. Pois não foi o homem que teceu a trama da vida. Ao contrário, por ela foi tecido. E o que fizer à trama fará a si próprio.” (Trecho do discurso do Chefe Seattle a Franklin Pierce, presidente do Estados Unidos, em 1854.)

Para muitos, a Geografia não tem importância alguma. Mas se nós, educadores, levarmos nossos alunos a abordá-la por esse novo prisma, eles perceberão que ela está em toda parte. Basta abrir os olhos e enxergá-la. Eis o desafio: desenvolver uma educação geográfica comprometida com a formação da cidadania responsável com o planeta.

* Bernadete Frigo Feitosa Guaratto é professora de Geografia do 5º ano do Ensino Fundamental do Colégio Objetivo, unidade Alphaville, licenciada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia Educacional e Clínica.

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